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segunda-feira, 16 de abril de 2018

TransCaribe

Oi, pessoal.

Hoje, o blog vai trazer um post sobre mobilidade urbana. E, vamos dar um pulo lá na atual "terra dos BRT's" - Colômbia.

Na verdade, se eu focar só no modal BRT, estarei faltando com a verdade, pois a Colômbia tem investido pesadamente em transporte em massa, e até mesmo com teleféricos

Mas, isso será mostrado em outro post. Agora, vamos conhecer o BRT de Cartagena das Índias:


O Transcaribe é o Sistema Integrado de Transporte de Massa da cidade de Cartagena. 

Atualmente, o sistema está em pleno funcionamento, onde sua operação iniciou-se em 17 de novembro de 2015 com a etapa pedagógica e preparatória com os operadores de ônibus, funcionários.


Dez dias depois, em 27 de novembro de 2015 iniciou-se a etapa pedagógica com os usuários.


Toda esta etapa pedagógica para a cidadania foi inaugurada na época pelo prefeito Dionísio Vélez, contando como gerente de Carlos Coronado Yances, que também desempenhou o papel de Secretário Geral do Distrito.

Finalmente, o sistema iniciou sua etapa de Operação Comercial no dia 27 de março, 2016, no mandato de Manuel Vicente Duque como prefeito. Na inauguração, contou com a presença do presidente Juan Manuel Santos, juntamente com outras autoridades daquele país.

Estação Maria Auxiliadora

O sistema é composto por um corredor principal, que foi implementado na Avenida Pedro de Heredia, que contou com obras de adequação e reformas.

O Transcaribe possui pistas exclusivas - somente para o deslocamento dos ônibus BRT - especialmente construídas com uma camada de concreto armado de 30 centímetros de espessura em média e corredor de espaço público de 5 metros em média para garantir acessibilidade adequada ao sistema, passagens de pedestres niveladas, estações de parada, bem como linhas pré-troncais e rotas alimentadoras, terminais e estações de transferência.


As rotas pelas quais o sistema circula correspondem às vias com maior tráfego de passageiros na cidade de Cartagena, o que reduz consideravelmente o tempo que as pessoas levam para circular pela cidade.


Essas rotas foram projetadas com pistas especiais exclusivas para os ônibus articulados do sistema.


Entretanto. existem  no sistema faixas chamadas "Mistas" que comportam carros, bicicletas e outros veículos que não fazem parte do Transcaribe.


Eixo principal - Avenida Pedro de Heredia

É a via mais longa da cidade, contém quase todas as estações articuladas e une-se à Avenida La Cordialidad, onde estão localizadas a estação de transferência de Madre Bernarda e o Patio-Terminal Del Gallo.


Eixo Troncal - Avenida Venezuela

Este eixo tem apenas duas estações articuladas chamadas "Centro" e "La Bodeguita"

Esta canaleta de ônibus foi feita de concreto com uma pigmentação avermelhada para não contrastar com as cores do Centro Histórico. A seção termina na entrada da área turística de Bocagrande, onde os ônibus fazem o retorno operacional.


O pagamento da tarifa é feito através de um cartão magnético, em catracas nas estações ou em máquinas validadoras no ônibus.


O cartão é passado através de uma catraca eletrônica localizada na entrada das estações. 


Caso seja necessário embarcar em uma linha alimentadora, o cartão é passado na entrada do ônibus, fazendo uma transferência para um ônibus padrão ou articulado sem ter que pagar a tarifa novamente.


Existem três tipos de cartão TransCaribe: um para usuários frequentes, outro para usuários eventuais (turistas, pessoas de outras localidades) e ainda um outro para pessoas com capacidade reduzida.


Assim sendo, os preços do cartão podem variar de acordo com o material com o qual são fabricados:

Cartão de plástico ou PVC - para usuários frequentes: tem um valor de COP $ 4000 ou aproximadamente R$ 5,05.


Já o Cartão de celulose (temporário para turistas) : tem um valor de COP $ 3000 ou mais ou menos R$ 3,90.


VEÍCULOS:

ARTICULADO
É um veículo composto por dois carros de passageiros unidos (sanfona) com capacidade total para transportar 160 passageiros. Utiliza-se apenas pela rotas troncais - que usama canaletas exclusivas.


PADRON (PRÉ-TROCAL)
É um veículo com capacidade para 90 passageiros que tem portas de acesso em ambos os lados para embarcar e desembarcar passageiros tanto nas rotas mistas das rotas pré-porta-malas quanto nas estações do sistema na estrada principal.


ALIMENTADOR (MICRO)
É um simples veículo do tipo micro-ônibus com capacidade para 50 passageiros. É responsável por transportar usuários de terminais para bairros que não têm cobertura próxima de estações ou rotas pré-tronco.


Rotas TRONCAIS
Eles transportam usuários em veículos de alta capacidade (articulados com 160 passageiros ou 90 passageiros) dos terminais de transferência para as estações de parada ao longo dos corredores troncais.


Os ônibus circulam por vias exclusivas nessas rotas, nas quais há integração física, operacional e tarifária.


Rotas pré-tronco
Essas rotas transportam os usuários através de corredores pré-troncais não servidos pelas rotas troncais com veículos do tipo Articulado e Padrón, para as estações de parada e terminais de transferência, permitindo a integração física, operacional e tarifária.


Rotas ALIMENTADORAS
São rotas oriundas da periferia da cidade e são responsáveis ​​por distribuir a demanda de passageiros para o terminal de integração e são cobertos por ônibus convencionais de 50 passageiros. Essas rotas permitem integração física, operacional e tarifária.



Rotas Complementares
Cumprem a função de transportar usuários de áreas não servidas por rotas troncais, alimentadores, e etc...; Sem integração de tarifa física com o sistema alimentador de troncos. Neste grupo podem ser classificadas as rotas suburbanas ou municipais que são apenas fisicamente integradas nos terminais de transferência.


Diagrama das principais rotas (TRONCAIS) - com estações de paradas:







BLOG:

Mais um sistema BRT com todas as peculiaridades existentes em um bom modal. Vias exclusivas, ônibus novos, modernos e estações e terminais.


Claro que não podemos ser hipócritas. O BRT será sempre um sistema modal de média capacidade de transporte. Nunca deverá ser comparado à sistemas de massas, como trens e metrôs. Salvo, quando a cidade (como aqui no post no caso de Cartagena e aqui no brasil, Curitiba) não tiverem esse tipo de modal.


Particularmente eu achei estes micros (iguais da imagem acima) perfeitos para alimentadores de pequeno itinerário. Além de bonitos e devem ser ágeis no trânsito.

Mas, como qualquer sistema BRT espalhado pelo mundo, o Transcaribe também passa e passou por problemas...

Muitos cidadãos de Cartagena mostraram alto índice de descontentamento devido ao enorme atraso nas obras do BRT iniciadas desde 2003 (!). As estações construídas e posteriormente abandonadas começaram a ser habitadas por moradores da rua, usuários de drogas, bandidos e até mesmo sendo utilizadas por pilotos de moto-táxi como seu próprio estacionamento.


O sistema não iniciou atividades no período estipulado porque as obras em todas as seções do sistema haviam sido paralisadas, culpa de uma enorme crise econômica -  especialmente a seção 5A - causando a demissão de Enrique Chartuni como administrador da entidade por não progredir no sistema, entre outras razões.

Ademais, o sistema sofre com outros problemas inerentes ao BRT: Superlotação em horários de pico, evasões tarifárias e a falta de consciência de usuários, pedestres, e ciclistas que invadem as pistas exclusivas...



Em contrapartida à isso tudo, ainda acredito que um bom sistema BRT, quando bem planejado, bem implementado e bem gerido, ajuda em muito no transporte de qualidade numa grande cidade. 


Estações com mobiliário moderno, para o bem estar de usuários, e uma frota moderna, somada à operadores bem treinados são o trunfo do BRT. Mas, a conduta da população usuária também esntra no somatório disso tudo. Em nada adianta, se implementar um sistema moderno e funcional, se a educação dos usuários não é compatível?


RESUMO TRANSCARIBE:

Passageiros: Aproximadamente 100.000 passageiros diários.
Freqüência/Intervalo: 5 minutos em média.


Operadores do Sistema:

* TransCaribe SA
* SAS TransAmbiental
* Sotramac SAS
* Operador Transcaribe

** ColCard (entidade de cobrança)

Malha Viária: 15 km de extensão

Velocidade média: 60 km/h


Em projeto uma expansão aquática (segunda fase).

Canal para contato e informação aos usuários

Site Oficial:


Valeu, pessoal. Vou ficando por aqui, pois amanhã é dia de "pegar no pesado"... espero que tenham gostado e até a próxima!!!

quarta-feira, 28 de março de 2018

BRT's ...

E, hoje - véspera do aniversário de Curitiba - foi inaugurado mais um serviço no modal BRT da cidade: O Ligeirão Santa Cândida < > Praça do Japão.


Dando continuidade a implantação de linhas EXPRESSAS/RÁPIDAS nos eixos principais que cortam a cidade, a prefeitura deu início a operação desta mais nova modalidade em nosso sistema. 


Utilizando o mesmo itinerário da linha paradora Santa Cândida < > Capão Raso, esta nova linha RÁPIDA terá somente oito (8) paradas entre o terminal Santa Cândida (Norte da cidade) e a Praça do Japão (Estação Bento Vianna/Centro).  Com isso, de igual modo ao que ocorre nas outras duas linhas ligeiras já existentes (Boqueirão e Carlos Gomes < > Pinheirinho) propicia uma opção de viagem mais rápida sem a necessidade de parada em outras estações no trecho.


Obviamente, da mesma maneira que ocorreu com a implantação das outras duas linhas, será necessário um período de adaptação e correção de problemas, por conta de ajustes operacionais, técnicos e logísticos. Para isso, a prefeitura pede um pouco de paciência dos usuários, o que é normal na implantação de novos serviços.

Com o sistema de transportes não seria diferente.

Terminal Santa Cândida (Curitiba/PR)

Juntamente com a nova linha, a prefeitura inseriu também novos bi-articulados Volvo/Marcopolo de última geração. Ônibus novinhos em folha!

Com isso, Curitiba se mantém no caminho certo como precursora do sistema BRT no mundo lá na década de 1970 com Jaime Lerner. 

BLOG: Curitiba não possui um modal sobre trilhos, e assim sendo, o BRT assumiu na nossa cidade o papel de um sistema principal, arterial, e que o povo curitibano assimilou e convive bem até hoje, com um carinho muito especial. A cidade é amplamente dependente dos "vermelhões" e "azulões" - bem como dos ligeirinhos, e dentro de uma certa normalidade, o grau de vandalismo é até contido. As manutenções são aceitáveis e a frota é renovada dentro da possibilidade. Exemplo disso, é o teste que está sendo feito com o bi-articulado Scania/Caio (imagem abaixo).


Como o desgaste dos ônibus e mobiliários aqui em Curitiba se dá mais pelo seu próprio tempo de uso, e não diretamente pelo vandalismo, muitos modelos de ônibus conseguem ter uma vida útil mais longa na cidade.

A única coisa que acredito, é que a cidade já merecia um mobiliário de estações melhor - como os existentes em outras cidades do país (como RJ e BH) e no mundo, além de um estudo aprimorado e sério para melhorar o fluxo e deslocamentos nas canaletas exclusivas, principalmente no tocante aos sinaleiros. Os sinais e cruzamentos atrasam muito a operacionalidade e tiram aquilo que seria um grande trunfo do sistema BRT de Curitiba: Uma velocidade operacional maior e quase similar com alguns sistemas metroviários.

Propaganda da época de implantação do "Ligeirão Boqueirão"

Nota: Como resido no bairro (Boqueirão) e trabalho no centro, sou um exemplo tácito - como diversas outras pessoas que deixam o carro em casa e se deslocam para o centro de ônibus. O Custo-benefício é enorme: Economia de valores em estacionamento, combustível, e stress no trânsito.

Mas, em se falando de Brasil, infelizmente nem tudo são flores. No Rio de Janeiro, minha saudosa terra natal, o BRT da cidade está sangrando e definhando, rumando fatidicamente para o seu fim...


Esta imagem acima argumenta por si só. Um grupo de articulados MegaBRT da Neobus abandonados, em total estado deplorável (ferro-velho!) na garagem da Pégasus, uma das viações participantes do consórcio BRT-Rio.

Inaugurado em 2012, como uma das obras "vedetes" do pacote da cidade para Copa do Mundo e Olímpiadas, foi a "pérola da coroa" e um sistema perfeito por um bom tempo. Recebeu, inclusive, diversos prêmios na sua categoria.


A primeira malha do sistema - TransOeste - que faz a ligação da Barra da Tijuca com o bairro de Santa Cruz chegou com modernidade, conforto, rapidez.

Ou seja: Tudo que um bom sistema BRT propõe.


O Camisas & Manias em visita à sua terra natal aproveitou para conhecer o sistema (veja a matéria/post na época clicando AQUI ou na imagem abaixo), e realmente era de "cair o queixo" com ônibus novinhos e mobiliário dos terminais e estações de primeira!


Muito embora, já naquela época, eu já haver presenciado vandalismo e evasões - já em 2012!

Confesso que fiquei preocupado, mas, nada que tirasse a promessa do sistema. 

Bem... Até as Olimpíadas, o sistema se manteve, com problemas usuais de lotação, e outros - mais ainda assim, outros trechos - TransCarioca e TransOlímpica foram construídos e entregues.


Mas aí... Sempre tem um "aí" né? ... Mas, aí pessoal, tudo passou: Copa foi-se; olimpíadas veio e se foi... E com elas, foi-se também o interesse por parte dos governantes (e a explosão da crise!) no sistema. Afinal de contas, o sistema tinha feito seu papel de "tapar o buraco" e permitir a realização dos eventos no país e na cidade. Alguns fatores estão sendo determinantes para o seu fim precoce:

- Falta de investimento em melhorias, segurança e manutenção de ônibus e mobiliários.
- Total falta de um estudo detalhado pelos técnicos e engenheiros em mobilidade nas áreas de implantação e situações de risco. Ex: eixo Campo Grande - Santa Cruz (Cesário de Melo).
- Alguns usuários sem preparo ou educação para utilização desse sistema.
- Empresas operadoras do consórcio em crise financeira, sem repasses e sem ajuda do poder público para manter o padrão de excelência serviço.
- Violência em trechos (grande maioria!) do BRT; Vandalismo exorbitante e domínio de milícias e tráfico em algumas estações, inclusive com ameaças à motoristas e operadores do sistema. Assaltos e agressões constantes dentro de ônibus e estações.
- Falhas pontuais em horários e disponibilidades de linhas, tornando o sistema deficiente e cansativo aos usuários de bem.


Enfim, uma triste junção de fatores vem contribuindo para que um sistema que seria de vital importância para o deslocamento diário de cariocas esteja definhando.


Estas imagens atuais do sistema mostram perfeitamente o CAOS que se instaurou no BRT do Rio de Janeiro.


E quem vai acabar pagando por isso é a parcela honesta, trabalhadora e boa índole da população carioca que tanto carece de serviços melhores, de um transporte de qualidade e digno. Muito embora, seja ressaltado aqui, uma grande "fatia" da culpa acaba recaindo no "colo" de boa parte de pessoas que não possuem vínculo de vida em comunidade, de sociedade e civismo. A educação, aqui, faz toda a diferença também. Muitas das imagens deste post, infelizmente, mostram isso.


O eixo TransBrasil está em obras - numa velocidade "tartaruga" - e acredito que não vai ser terminada tão cedo (se for terminada...).

O consórcio BRT tenta "heróicamente" manter o sistema funcionando, mas a cada dia que passa isso se torna uma enorme epopéia...


Acho, sinceramente, que ninguém no trecho da Barra da Tijuca está com saudades dele:

Mas, se algo de muito concreto não for feito, este cenário deverá retornar... #ficaadica!

Um Brasil, dois BRT's e duas realidades tão diferentes.

Grande abraço, e lembrem-se: Outubro está chegando.