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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A Expedição Penobscot


A EXPEDIÇÃO PENOBSCOT

A Expedição Penobscot foi a maior expedição naval americana constituída na chamada "Guerra Revolucionária Americana" e foi para os Estados Unidos a pior derrota naval até Pearl Harbor.

Os combates tiveram lugar tanto em terra quanto no mar, no local que é hoje o Maine.

O livro...

Na obra literária [capa acima], Cornwell aborda um dos maiores fiascos navais da história americana, ao lado de Pearl Harbor: a batalha da baía de Penobscot contra os ingleses.

Acompanha toda a preparação das forças rebeldes e dos britânicos até o momento decisivo.

E lança luz sobre um dos episódios mais marcantes da história militar americana, retratando os sangrentos confrontos da maneira ágil e revelando curiosidades sobre o conflito. Sempre com a  criteriosa pesquisa histórica que é sua marca registrada.

O Tenente-Coronel Paul Revere.

O ano é 1779, três após a declaração de independência da antiga colônia, e a tensão com a Coroa atinge um nível insustentável. Preocupados com a ausência de tropas britânicas entre o Canadá e Nova York, exceto por uma pequena guarnição em Newport, os ingleses decidem estabelecer um posto avançado em Castile, então costa do Maine. Setecentos soldados de infantaria, cinqüenta de artilharia e três pequenos navios, são mandados para o local.

Sob comando do experiente general escocês Francis McLean — um  personagem perdido no intrincado labirinto dos registros históricos, agora resgatado com maestria por Bernard Cornwell —, o exército começa a construir rapidamente um forte rudimentar para servir como centro de suas defesas. 


Silhueta do Brigadeiro-General Peleg Wadsworth


Na foto abaixo [Agradecimento ao amigo Carter Batista, que conta com dois maravilhosos blogs: Sol de Austerlitz e o chega e chora pela correção], o neto de Wadsworth, Henry W. Longfellow (1807-1882), famoso poeta americano que fez a elegia de Paul Revere, e entre outros feitos, traduziu a Divina Comédia de Dante Alighieri em 1876 e foi amigo de Dom Pedro II. O Camisas e Manias havia atribuído errôneamente seu retrato como sendo do Brigadeiro-General Peleg,  na verdade, seu avô.

Henry Wadsworth Longfellow

Enquanto isso, os americanos organizam a maior frota já reunida pelos rebeldes durante o confronto, com mais de 40 barcos, sob o comando do arrogante capitão Saltonstall. Suas ordens: capturar, matar e destruir o inimigo. Quem vencerá?

Pesquisa  HISTÓRIcA...

Em junho de 1779, forças do exército britânico estabeleceram uma série de fortificações com ênfase em um forte localizado na Península de Majabigwaduce [Bagaduce] em Penobscot Bay, com o objetivo de estabelecer uma presença militar mais incisiva naquela parte da costa e começar uma nova colônia a ser conhecida como Nova Irlanda [New Ireland].


Em resposta, o estado de Massachusetts, com algum apoio do Congresso Continental, organizou uma expedição para expulsar os britânicos.

Os americanos desembarcaram tropas no final de julho e tentaram estabelecer um cerco na fortaleza britânica com uma série de ações seriamente dificultadas por divergências sobre o controle da expedição entre o Comodoro Dudley Saltonstall e General Salomão Lovell.

A operação terminou em desastre total quando uma frota britânica sob o comando de Sir George Collier chegou, dirigindo a frota americana, sem saída, a uma total auto-destruição pelo rio Penobscot. Os sobreviventes da expedição americana foram forçados a fazer uma viagem por terra de volta para outras partes de Massachusetts com o mínimo de víveres e armamento.

Antecedentes

Após o fracasso em várias ações militares, como de Machias em 1777, e a campanha de Saratoga, os estrategistas britânicos estavam estudando outras formas de recuperar as colonias rebeldes da Nova inglaterra. O consenso era em estabelecer uma base na costa do distrito de Maine (que era então uma parte de Massachusetts) para proteger a navegação inglesa contra corsários.


As forças britânicas chegam em Penobscot...


Foi atribuída a expedição britânica ao brilhante general Francis McLean, que foi baseado em Halifax, zarpando em 30 de maio de 1779, e chegando em Penobscot  no dia 12 de junho. No dia seguinte, McLean e Andrew Barkley, o capitão do comboio naval, estudaram e determinaram o local adequado para estabelecer um forte. 

As tropas totalizavam 700 homens: 50 soldados da Artilharia Real e engenheiros, 450 homens do 74º Regimento (Highlands) de Infantaria e 200 soldados do 82º Regimento de Infantaria (Duque de Hamilton).

Iniciou-se a construção do "Fort George" na península, com duas baterias fora da fortaleza para dar cobertura para a HMS Albany, único navio de grande porte que ficaria na área. A terceira bateria foi construída sobre uma ilha ao sul da baía, perto da foz do rio Bagaduce [Ilha Cross]. A construção das guarnições ocuparam as tropas britânicas para por todo o mês corrente, até quando os rumores de que uma expedição norte-americana estava em formação para se opor à eles.

O capitão da HMS Albany, Henry Mowat, que estava familiarizado com a política de Massachusetts, levou os rumores muito a sério, e convenceu o General McLean à deixar navios adicionais que tinham vindo com o comboio para defesa. Porém, alguns dos navios mais fortes do comboio já tinham partido e somente ficaram as chalupas HMS North e HMS Nautilus.

Reação americana...


Quando a notícia do estabelecimento de tropas inglesas em Penobscot chegou em Boston, rapidamente foram arquitetados planos para a expulsão. O Congresso temia que, se um forte fosse construído na foz do rio, todas as chances de retomar a região seriam perdidas. Além disso, os indígenas da região poderiam apoiar os ingleses.

Para liderar a expedição, o Congresso ordenou  o uso de três navios de guerra: O Providência [12 canhões], o Brigue Diligent [14 canhões], e a Fragata Warren [32 canhões], enquanto o resto de mais de 40 navios foram compostos de embarcações de menor poder de fogo da Marinha de Massachusetts e naus particulares sob o comando do Comodoro Dudley Saltonstall.

Foram mobilizados mais de 1.000 milicianos, e adquiriram-se outros seis canhões de pequeno porte para campo, e o  Brigadeiro-General Solomon Lovell foi posto no comando das forças terrestres. A expedição partiu de Boston em 24 de julho e chegando em Penobscot  no fim do mesmo dia.

Desembarque das forças americanas em Penobscot

Combates...


25 de julho: Nove dos navios de maior porte na Frota Americana trocaram tiros com os navios da Marinha Real Britânica. Enquanto isso, sete barcos americanos se aproximaram da costa para o desembarque de tropas, mas, recuaram, ante ao intenso fogo inimigo.

26 de julho: Foi enviada uma força de Fuzileiros Navais Continentais para tomar a bateria britânica acondicionada na Ilha Nautilus (Ilha Banks/Cross), enquanto a milícia principal desembarcava em Majabigwaduce. Os Marines alcançaram o seu objetivo, mas retrocederam, quando um tiro certeiro da artilharia britânica atingiu o barco de assalto.


Enquanto isso, 750 homens sob o comando de Lovell desembarcaram e começaram à construção de um acampamento sob fogo cerrado britânico.

27 de julho: A artilharia americana bombardeou a frota britânica durante três horas, ferindo quatro homens a bordo HMS Albany.

28 de julho: Sob o fogo de artilharia e cobertura o Brigadeiro-General Peleg Wadsworth liderou uma força de assalto de  400 homens (200 fuzileiros navais e 200 da milicianos) em terra, com ordens para capturar o forte britânico.


A defesa britânica sob ordens do tenente John Moore, se opôs com resistência determinada, mas não recebeu nenhum reforço do Forte, e foram obrigados à retroceder, permitindo aos americanos estabelecer uma posição mais ao alto e próxima do Forte.




Lovell então ordenou que os atacantes consolidassem sua posição. Em vez de atacar a fortaleza, Lovell decidiu construir ali uma bateria e bombardeá-los até a rendição.




As baixas americanas no assalto foram pesadas: 100 mortos entre os 400 homens, com os Fuzileiros Navais Continentais sofrendo mais baixas que a milícia. 




O Comodoro Saltonstall ficou tão horrorizado com os prejuízos sofridos por seus marines, que se recusou à tentar outras operações por terra desta mesma maneira.

29 de julho: Iniciam-se as operações de sítio ao Forte George. Um americano foi morto.

7 de agosto: Os britânicos consideram recapitular, mas antes, conseguem enviar pedidos de reforços, porém, antecipando-se à isso, em 3 de agosto, uma frota de 10 navios de guerra partiu de Nova York sob o comando do comodoro Sir George Collier .

11 de agosto: 250 milicianos americanos avançam e ocupam uma bateria recentemente abandonada à cerca de um quarto de milha (400 m) do forte britânico.

Ataque de 250 milicianos...

Em reação, cerca de 55 soldados britânicos avançaram do forte para repelir o ataque, e os mal preparados e treinados soldados americanos dispararam apenas um sequência de tiros na direção das tropas inglesas e fugiram, deixando para trás todas as suas armas e equipamentos. A bateria é retomada pelos ingleses de modo definitivo.

... 55 Soldados ingleses saem do forte para barrar seu avanço.

12 de agosto: Saltonstall decide lançar um ataque naval contra o forte britânico, mas a frota de socorro aos britânicos chega e no dia seguinte atacam os navios americanos.

A frota de Sir George chega em socorro aos ingleses

Ao longo dos próximos dois dias, a frota americana retrocede desesperadamente pelo rio Penobscot, perseguido pelos navios britânicos.

Diagrama da Expedição Penobscot e suas ações...

Vários navios foram afundados ou queimados pelos americanos ao longo do caminho para que não caíssem nas mãos dos ingleses. O resto da frota foi destruída na região de Bangor.


Arte detalhando o afundamento de um navio americano em Bangor.


No século 18 haviam corredeiras fortíssimas em Bangor o que causos muitas mortes no lado americano. As tripulações sobreviventes fugiram por terra de volta para Boston com praticamente nenhuma comida ou munição.

Ao longo do cerco, o coronel inglês David Stewart afirma que a guarnição britânica sofreu 25 mortos e 34 feridos, com 26 soldados britânicos presos pelos norte-americanos.

Além dos 100 homens mortos e feridos durante o ataque de 28 de julho, as baixas americanas em todo o cerco chegaram à mais 12 mortos, 16 feridos e um capturado, além de "vários feridos" em 4 de agosto. Chegamos à marca de pelo menos 130 mortos e feridos. 

A retirada caótica da armada dos Estados Unidos no entanto, elevou a perda americana para 474 mortos, feridos, capturados ou desaparecidos.

Pós Batalhas...

A comissão de inquérito americano culpou o fracasso da expedição na má coordenação entre as forças de terra e mar e, em caso específico, à falha do  Comodoro Saltonstall por se permitir envolver e se deixar subjulgar pelas forças navais britânicas remanescentes. 

Saltonstall foi declarado como o principal responsável pela derrota, foi submetido a corte marcial, considerado culpado, e demitido do serviço militar. 

Paul Revere, que participou nesta expedição, foi acusado de desobediência e covardia, resultando em sua demissão da milícia.

Peleg Wadsworth, que mitigou o dano através da organização de uma retirada, não foi acusado no tribunal marcial.

Apesar de repelir a expedição norte-americana, os britânicos evacuaram a área seguindo os acordos no tratado de Paz de Paris de 1783, abandonando assim, definitavemente suas tentativas de estabelecer a Nova Irlanda.

Durante a guerra de 1812 os britânicos ocuparam a área novamente, e chamaram-na novamente de Nova Irlanda, e foi usada como uma base naval antes da retirada definitiva com a chegada da paz.

A  propriedade plena da área permaneceu sendo disputada até o Tratado de Webster-Ashburton em 1842. 

O Maine era uma parte de Massachusetts até 1820, quando foi admitido como o 23º estado da União.

Legado...



Em 1972, o Maine Maritime Academy e o Massachusetts Institute of Technology  encontraram os destroços do “Defence”, um brigue corsário que fez parte da frota americana.

Mais evidências de navios naufragados também foram encontrados por ocasião da construção da Ponte Joshua Chamberlain, em Bangor, e também sob o cais da cidade de Bangor, onde diversos artefatos foram recuperados.

Balas de canhão também foram relatados como tendo sido recuperados durante a reforma da  ponte em 1986.


A terraplenagem de Forte George ainda está de pé, na foz do rio Penobscot em Castine, acompanhado por trabalho concreto adicionado mais tarde pelos americanos no século 19.

Imagem do Google mostrando as fundações de Forte George hoje...

Evidências arqueológicas da expedição, no local, resultaram em achados de fragmentos de canhões e balas de canhão, foram localizados durante um projeto arqueológico nos anos de 2000-2001.


Obrigado por sua companhia no blog, agradeço sua visita, e desejo um ótimo final de semana!

Tchau!...

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