Destaque da Semana

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Os Heróis de Chernobyl


Antes de falar nos valorosos liquidadores de Chernobyl, é necessário falar do acidente propriamente dito:


O acidente nuclear de Chernobyl ocorreu no dia 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Chernobyl (originalmente chamada de Vladimir Lenin) na Ucrânia (nessa época, ainda parte da antiga União Soviética), durante um teste de segurança mal executado, depois de 24 horas de manipulações insensatas e mais de duzentas violações do Regulamento de Segurança Nuclear da União Soviética. Estas ações conduziram ao envenenamento por xenônio do núcleo, levando-o a uma acumulação neutrônica seguida por um aumento de energia que causou duas grandes explosões às 01h24 da madrugada.


Imagens na manhã seguinte ao acidente.


É considerado o pior acidente nuclear da história da energia nuclear, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido, com uma liberação de 400 vezes mais contaminação que a bomba que foi lançada sobre Hiroshima.


Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas, resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas.Cerca de 60% de radioatividade caiu em território bielorrusso [Belarus].

Mapa da evolução da Radiação
< Imagem: Google >

O governo soviético procurou de todas as maneiras esconder o ocorrido da comunidade mundial, até que a radiação em altos níveis foi detectada em outros países. Segue, abaixo, um trecho do pronunciamento do líder da União Soviética, na época do acidente, Mikhail Gorbachev, quando o governo admitiu a ocorrência:

-“Boa tarde, meus camaradas. Todos vocês sabem que houve um inacreditável erro – o acidente na usina nuclear de Chernobyl. Ele afetou duramente o povo soviético, e chocou a comunidade internacional. Pela primeira vez, nós confrontamos a força real da energia nuclear, fora de controle”.

Mikhail Gorbachev

A Usina de Chernobil está situada nos arredores da cidade de Pripyat, na Ucrânia, cerca de 18 quilômetros a noroeste da cidade de Chernobil, 16 quilômetros da fronteira com a Bielorrússia, e cerca de 110 quilômetros ao norte de Kiev.


A usina era composta por quatro reatores, cada um capaz de produzir um gigawatt de energia elétrica (3,2 gigawatts de energia térmica). Em conjunto, os quatro reatores produziam cerca de 10% da energia elétrica utilizada pela Ucrânia na época do acidente.

Escombros de uma das salas de controle de um dos reatores


A construção da instalação começou na década de 1970, com o reator nº 1 comissionado em 1977, seguido pelo nº 2 (1978), nº 3 (1981), e nº 4 (1983). Dois reatores adicionais (nº 5 e nº 6, também capazes de produzir um gigawatt cada) estavam em construção na época do acidente. As quatro unidades geradoras usavam um tipo de reator chamado RBMK-1000.


Como consequência do acidente, apenas 5 funcionários da Usina sobreviveram, mais de 7.000 pessoas morreram, um número não determinado de pessoas sofreu algum tipo de consequência das exposições à radiações e estima-se que mais de 500 mil pessoas de gerações futuras ainda sofrerão algum tipo de problema por causa do acidente. 

Crianças nascidas de pessoas que estiveram em contato com a radiação de Chernobyl: Problemas genéticos causando mutações.

É o chamado “Legado de Chernobyl”.

Além das perdas humanas, a radioatividade de Chernobyl contaminou os solos e recursos hídricos de 137 mil quilômetros quadrados de territórios na Ucrânia, Bielorússia e Rússia. Chernobyl inutilizou ainda 114 mil hectares de terra e 492 mil hectares de floresta, forçando mais de 400 mil pessoas a abandonarem as suas habitações de imediato. 

Permitam-me, ainda, antes de abordar o tema principal, citar um pouco sobre:

Prypiat: a cidade Fatasma

Prypiat é hoje, uma cidade-fantasma no norte da Ucrânia, perto da fronteira com a Bielorrússia. Próximo à cidade fica a central nuclear de Chernobyl, lugar onde ocorreu o maior acidente nuclear da história (em abril de 1986), e por isso, era na cidade, que ficavam a maioria absoluta das famílias dos funcionários da Usina.

Panorama de Prypiat


A cidade é um retrato fiel muito bem conservado da era mais tardia da União Soviética, visto que os edifícios abandonados (apartamentos, hospitais, etc.) ainda contêm objetos desses tempos, como brinquedos, roupas, discos, etc.


A cidade em si e os seus arredores não são seguros como lugar de habitação pelos próximos séculos. Os cientistas supõem que os elementos radioativos mais perigosos precisarão de 900 anos (!) para atingir níveis que permitam ao ser humano voltar a habitar a zona.


Mas, logo após o acidente nuclear, muitos habitantes da cidade se negaram a sair de lá e abandonarem suas famílias, suas casas e suas vidas, correndo enorme risco à saúde. Muitas vítimas de Chernobyl são justamente da ciadade de Prypiat.

Os Heróis
Liquidadores - ликвидаторы

Liquidador é o nome que se deu a cada um dos aproximadamente 600.000 homens que se ocuparam em minimizar as consequências do desastre de 26 de abril de 1986 em Chernobyl.


Inclusos neste grupo eram bombeiros, militares, operários e voluntários civis que se encarregaram de apagar os incêndios e construir barreiras, entre elas "o sarcófago", estrutura desenhada para conter a radiação liberada durante o acidente.

"O Sarcófago"

Estas pessoas se arriscaram, mesmo sabendo da alta concentração radiotiva e fatal, à construir o equipamento protetor que absorveu grande parte da radiação.


Os liquidadores sabiam da sua mortal incumbência e apesar disso realizaram o seu trabalho com enorme valor e responsabilidade. Centenas, milhares deles, de maneira heróica: os bombeiros que se alternavam entre vômitos e diarréias radiológicas para subir ao mítico telhado de Chernobyl, onde havia mais de 40.000 Roentgens/hora, para apagar dali os incêndios (a radiação ambiental normal é de uns 20 microrroentgens/hora).


Os pilotos que mantinham os seus helicópteros por cima do reator aberto e refulgente para esvaziar sobre ele areia e argila com chumbo e boro...



Os técnicos e soldados que corriam a toda velocidade pelas galerias devastadas comunicando aos gritos as leituras dos contadores Geiger e os cronômetros para romper paredes, restabelecer conexões e bloquear canalizações em períodos de quarenta ou sessenta segundos junto às turbinas (20.000 roentgens/hora).


Os mineradores e engenheiros que trabalhavam em túneis subterrâneos, inundando-se constantemente com água de sinistro brilho azul, para instalar os canos de um extrator de calor que roubasse algo de temperatura ao núcleo fundido e radiante, a escassos metros de distância.


Os milhares de trabalhadores e arquitetos que levantavam o sarcófago ao seu redor, retiravam do entorno os escombros furiosamente radioativos e evacuavam a população.


-"Quem bebia e fumava, levou a pior com a radiação", afirmou o engenheiro Dmitriev. Durante os intervalos de trabalho entre as turmas de liquidadores, alguns  recebiam bebida alcoólica para suportar a tarefa ingrata. O engenheiro aposentado conta que percebeu, tardiamente, que quem bebia absorvia uma dose maior de radiação.


Dmitriev trabalhava diretamente na medição dos trabalhadores e garante que muitos dos que bebiam e se expunham à radiação morreram posteriormente de cirrose crônica.

Medalha de Honra cedida à todos os Liquidadores de Chernobyl

Cada um dos liquidadores tinha um dosímetro, um contador individual de radiação. Em alguns casos, não chegavam a ficar nem um minuto trabalhando na zona do desastre. Mas muitos, corajosamente, deixaram o dosímetro de lado, para controlar a tragédia e assim foram expostos a níveis excessivos e acabaram morrendo ou ficando com graves sequelas. 

Máscaras contra Gás, espalhadas em uma escola na cidade de Prypiat

Segundo a OMS cerca de 240 mil liquidadores foram empregados entre 1986 e 1987, e emitidos certificados e condecorações para 600.000 no total.

São considerados Liquidadores e Heróis:

- Yuri Korneev, Boris Alexander Yuvchenko Stolyarchuk: Foram os últimos membros sobreviventes do bloco n.º 4 que estavam de plantão na sala de comando no momento da catástrofe e ficaram firmes no local, tentando de todas as formas, minimizar o ocorrido. Anatoly Dyatlov, que estava no comando do experimento de segurança no reator n.º 4, morreu em 1995, de um ataque cardíaco. Destes todos, somente Yuri Korneev ainda está vivo:

Yuri Korneev é o único ainda vivo do grupo que estava no turno da noite no Bloco 4, na noite do acidente de Chernobyl. Ele tinha catarata induzida por radiação, mas sua vista do olho foi restaurada. 
< foto: Greenpeace >

- Os bombeiros do complexo de Chernobyl [cerca de 40 homens] que foram os primeiros a lidar com a catástrofe. 

- Uma brigada de 300 pessoas da Defesa Civil de Kiev, que enterrou o solo contaminado em volta da usina.

Monumento aos liquidadores de Chernobyl

- Pessoal do corpo médico.


- Vários trabalhadores civis e militares que realizaram a desativação e limpeza da área.


- Trabalhadores da construção civil que construíram o sarcófago sobre o reator que explodiu.




- Tropas internas que garantiam o acesso seguro ao complexo.


- Trabalhadores dos transportes.


- Uma equipe de mineiros de carvão, que usou seus conhecimentos para bombear a água contaminada no subsolo da região para impedir sua entrada em veios de águas mais subterrâneas.

- Nikolai Melnik (1954) é um ex-piloto militar da União Soviética conhecido por colocar sensores de radiação no reator n.º 4 da Usina, logo após a explosão de 1986. Por seu trabalho, ele foi premiado com o título de Herói da União Soviética.

Nikolai Melnik

Homenagens do povo aos Liquidadores


E temos ainda, o registro de atos extremos de heroísmo:

Alexei Ananenko, tecnólogo nuclear, Valeriy Bezpalov, engenheiro, e Boris Baranov, trabalhador da própria central atômica. 

Este três heróis protagonizaram uma sequência hercúlea para normalizar o fluxo das águas radioativas, oriundas dos bombeiros sobre o reator, que se acumularam e precisavam ser transferidas para um receptor seguro, abrindo manualmente as eclusas em um mergulho mortal nestas mesmas piscinas. Sem demonstrar nenhum medo, os três partiram para o mergulho fatídico, e de repente, as eclusas começaram a abrir-se, e um milhão de metros cúbicos de água radioativa começaram a jorrar para  o reservatório seguro, preparado para tal efeito. Eles haviam conseguido! Os heróis Ananenko, Bezpalov e Baranov acabavam de salvar grande parte Europa. Mas, não regressaram.

Foto: Homem limpa monumento em Chernobyl em homenagem aos primeiros 40 bombeiros da brigada interna da usina que arriscaram suas vidas tentando apagar o fogo nos primeiros instantes após a explosão do reator 4 em 1986.
< Foto: Dennis Barbosa/G1 >

Mais um fato histórico, que deve ser mencionado, contado e passado à gerações futuras, para que estes heróis nunca sejam esquecidos.
Obrigado pela Visita, e até mais!

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