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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Inferno de Dresden


O bombardeio da cidade alemã de Dresden foi uma ação militar efetuada durante a Segunda Guerra Mundial pelos aliados da Força Aérea Real (RAF) e a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos da América (USAAF) entre os dias 13 e 15 de fevereiro de 1945.


Em quatro ataques-surpresa, 1.300 bombardeiros pesados lançaram mais de 3.900 toneladas de dispositivos incendiários e bombas altamente explosivas na cidade, capital barroca do estado alemão de Saxônia.

A tempestade de fogo resultante de tais cargas bélicas destruiu 39 quilômetros quadrados do centro da cidade.


Em um relatório da Força Aérea dos Estados Unidos, escrito em 1953, Joseph W. Angell defendeu a operação justificando para isso, a existência de um alvo militar, de grande importância por ser industrial bélico e também para desmantelar um centro importante de transportes e comunicação, onde encontravam-se alocadas cerca de 110 fábricas e 50.000 trabalhadores em apoio aos esforços nazistas.



Entretanto, diversos pesquisadores argumentaram que nem toda a infrainstrutura comunicacional, como pontes, ferrovias e estradas foram de fato, alvo do bombardeio, assim como saíram ilesas extensas áreas industriais distantes do centro da cidade.

Alega-se que Dresden era um marco cultural de pouca ou nenhuma significância militar, uma "Florença do Elba", como era conhecida, e que os ataques foram, na verdade, um bombardeio indiscriminado e desproporcional aos comensuráveis ganhos militares.


Nas primeiras décadas após a guerra, estimativas de mortos chegavam à marca 250.000 almas, número atualmente considerado um grande absurdo, e alimentado em grande parte pela repercussão mundial negativa frente ao bombardeio.

Uma investigação independente encomendada pelo conselho municipal de Dresden em 2010 chegou a um total mínimo de 22.700 vítimas, com um número máximo de mortos em torno de 75.000 pessoas.


Efetuando uma comparação direta com o bombardeio de Hamburgo, em 1943, que criou uma das maiores tempestades de fogo provocadas pela RAF e a Força Aérea dos Estados Unidos, matando aproximadamente 50.000 civis e destruíndo praticamente toda a cidade, e o bombardeio de Pforzheim em 1945, que matou aproximadamente 18.000 civis, os ataques aéreos contra Dresden não podem ser considerados os mais graves da Segunda Guerra Mundial.


Mas, no entanto, eles continuam conhecidos como um dos piores exemplos de sacrifício civil provocado por um bombardeio estratégico, ocupando lugar de destaque entre as maiores ações errôenas e morais da Segunda Guerra.

Discussões pós-guerra, revisionismo histórico e propagandismo da Guerra Fria levantaram debates entre comentaristas, oficiais e historiadores a respeito da fundamentação crível ou não do bombardeio, e se sua realização teria se constituído em um crime de guerra.


Capital histórica da Saxônia, a cidade de Dresden, às margens do rio Elba, caracterizava-se por sua esplendorosa arquitetura e pela fina indústria de porcelana.

Isso até o dia 13 de feveiro de 1945, quando seus magníficos edifícios, como se fossem raquíticos mimos de cerâmica, foram despedaçados por mais de 2.000 toneladas de explosivos despejados pelos aviões aliados, na manobra mais estranha e constestada da operação Thunderclap.

O belíssimo município, que fora poupado de praticamente todos os bombardeios aliados até então, contava com poquíssimas baterias antiaéreas e ainda assim, frágeis demais, pois o comando alemão não imaginou a cidade como alvo de ações militares pesadas, por usa peculiaridade, o que acabou permitindo uma carnificina: junto às construções, feneceram nada menos do que aproximadamente 50.000 civis alemães.



Planejada pelo marechal Arthur Harris e pelo general Carl Spaatz, os mandarins aéreos dos Aliados, a mais recente operação de bombardeamento das cidades germânicas começara em 3 de fevereiro, com ataques de aeronaves dos Estados Unidos à Berlim e Magdeburg em plena luz do dia.


No dia 6, novos assaltos, desta vez a Chemnitz e novamente Magdeburg - que voltaria a ser alvejada três dias depois.

General Carl Spaatz

O ataque à Dresden, que pela cartilha inicial seria a primeira da série - só não a foi por falta de condições meteorológicas favoráveis - , ficou para o dia 13. 

Ainda assim, o mau tempo cancelou os raids vespertinos dos norte-americanos, colocando toda a responsabilidade nas asas da RAF, que investiria somente à noite.


O comando bombardeiro britânico, então, escalonou forças para a mais violenta tempestade aérea de sua história. Um total de 796 Lancasters e nove Mosquitos deixaram a Grã-Bretanha para atacar Dresden em duas ondas, separadas por três horas. 

Bombardeiro AVRO-LANCASTER

As aeronaves verteram sobre a cidade 1.478 toneladas de bombas de alto poder de explosão e 1.182 artefatos incendiários, fazendo o inferno cair do céu naquela horrenda noite alemã. 



Apenas seis aviões foram derrubados pela frugal defesa tedesca. Sob a luz do dia seguinte, 311 bombardeiros B17 norte-americanos completaram o serviço, dardejando 771 toneladas de bombas em direção à cortina de fumaça e fogo que envolvia as ruas da cidade....


Moralidade da ação foi questionada, pois do ponto de vista militar, Dresden não representaria um alvo suficientemente importante para justificar tal grau de hostilidade.

Oficialmente, a operação Thunderclap tinha como objetivo precipitar a rendição alemã pelo ataque feroz à malha ferroviária germânica - e o município de Dresden, é fato, localiza-se em um ponto estratégico de passagem para o front Leste, por onde os soviéticos pretendiam investir.

Porém, fontes próximas ao Alto Comando aliado informaram que a devastação em Dresden foi direcionada unicamente para acelerar o final da guerra, por efeitos fúteis, como a derrubada do moral dos homens à serviço de Adolf Hitler.

Avião De Havilland DH 98 "Mosquito"

Os mesmos informantes relatam que, inicialmente, os próprios oficiais e pilotos americanos colocaram-se contra o ataque, classificando-o de "terrorismo".

Estes, porém, foram convencidos por Harris de que o bombardeio ajudaria os aliados militarmente - por atacar as linhas de comunicação germânica - e politicamente - por ser visto como um suporte ao Exército Vermelho.


Se estes argumentos foram suficientes para dobrar os oficiais e pilotos americanos, o mesmo não se pode dizer da opinião pública em ambos os continentes, que segue até hoje, questionando a moralidade desse fútil ataque à Dresden e sua população civil.


Algumas obras sobre o episódio:


    
Filme: Dresden, o Inferno

Livro: Dresden

Livro: A Destruição de Dresden (A anatomia de uma tragédia)


"A Guerra é a pior das doenças e mazelas existentes na humanidade, pois causa a morte de milhões em pouco tempo, e nos sobreviventes, deixa sequelas irreparáveis e feridas que não cicatrizam jamais."
A.V.Showa

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