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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Dúvida do EVEREST

Para iniciar este post, antes de mais nada, temos obrigatoriamente que citar o primeiro ao feito oficial, merecidíssimo:


29 de maio de 1953


Nesta data, o ponto mais alto do planeta foi vencido pela primeira vez. Sir Edmund Hillary e Tenzing Norgay venceram os 8.850 metros de altura do Monte Everest.


Sir Edmund Percival Hillary KG, KBE (1919:2008) foi um alpinista e explorador neozelandês, famoso principalmente pela primeira escalada bem sucedida do Monte Everest. Ele e o guia sherpa Tenzing Norgay atingiram os 8850 metros do cume em 29 de Maio de 1953.

Edmund Hillary em 1957...

... E aqui em 2004.

Sardar Tenzing Norgay (1914:1986) foi um alpinista sherpa nepalês, e o primeiro homem a chegar ao topo do Everest, em companhia de Sir. Edmund Hillary.

Caricatura/desenho de Norgay

Estátua em homenagem à Norgay

Um feito histórico sem precedentes, haja visto que as condições materiais à época eram bastante precários, e ainda hoje, com a ampla tecnologia em equipamentos e materiais que dispomos, uma expedição ao Everest ainda é considerada como de enorme risco e alto grau de dificuldade.

Imagens de Hillary e Norgay durante a expedição de 1953

Mas, ainda assim, a imponente montanha de gelo nos impõe seus mistérios:

A Expedição Perdida de 1924


Em 8 de junho de 1924, ou seja, 29 anos antes da ascensão de Hillary e Norgay,  George Mallory e Andrew Irvine tentaram atingir o topo do Everest pela primeira vez, acessando pelo passo norte. 

O companheiro de expedição Noel Odell afirma tê-los visto às 12h50m na ascensão de uma das rotas principais da crista norte, e "progredindo fortemente para o topo", mas nenhuma prova pôde demonstrar que eles atingiram o topo. 

Eles jamais retornaram ao acampamento avançado, tendo sucumbido em algum lugar da montanha.

Irvine e Mallory são os dois primeiros ao topo, no lado esquerdo da foto.

Será que eles conseguiram realizar o feito em 1924?

Em maio de 1999, uma expedição americana, encontrou o corpo congelado de George Mallory a mais de 8.000 metros de altura, na face norte do Everest.


Utensílios recuperados junto ao corpo de Mallory

No entanto, eles não localizaram nenhuma das duas câmeras que ele e Irvine tinham aparentemente carregado. Especialistas da Kodak afirmaram que se uma das câmeras fosse encontrada com seu filme, existiria uma boa probabilidade de que o filme pudesse ser revelado, devido à natureza do filme preto e branco utilizado e ao fato de ele ter sido mantido congelado por mais de 75 anos.

Câmera semelhante à que Mallory e Irvine aparentemente levaram na ascensão final

As fotos oriundas dessas câmeras poderiam finalmente esclarecer se eles realmente alcançaram o topo antes de morrerem.

Em 2004, outra expedição foi organizada para procurar estas câmeras e outras pistas, mas nenhuma nova evidência foi encontrada.


Equipamentos e restos de roupa no local onde foi encontrado Mallory

Uma terceira expedição de busca foi feita em 2005, também sem resultados.

A questão do sucesso ou fracasso da dupla em alcançar o topo do Everest ficará provavelmente sem resposta para sempre, salvo que alguma nova evidência seja encontrada na montanha. Com o passar dos anos, as chances de se encontrar alguma coisa diminuem cada vez mais.

Última foto da dupla de alpinistas, no acampamento base, antes de subirem ao topo em 1924

Em 1975, um alpinista chinês chamado Wang Hongbao declarou ter visto o corpo de um "velho inglês morto" perto do topo do Everest. Porém, o destino traçou suas linhas para manter o mistério de Mallory e Irvine incólume: tragicamente, Hongbao morreu em uma avalancha no dia seguinte à declaração, antes que a localização pudesse ser feita de maneira precisa.

As informações mais recentes apontadas por analistas, evidenciam que o corpo avistado por Hongbao seria o de Irvine.

Além das câmeras, dois detalhes observados quando da descoberta do corpo de Mallory são importantes, apesar de não conclusivos:

Primeiro ... A filha de Mallory sempre afirmou que Mallory carregava uma fotografia da esposa com ele, com a intenção de deixá-la no pico quando este fosse alcançado. Essa foto não foi encontrada junto ao corpo quando ele foi descoberto. Dada o excelente estado de preservação do corpo e de seus apetrechos, isso aponta para a possibilidade que ele possa ter alcançado o topo e lá depositado a foto.

Segundo ... Os óculos de Mallory estavam em seu bolso quando o corpo foi encontrado, indicando que ele morreu à noite. Isso implicaria que ele e Irvine teriam feito um esforço para alcançar o pico ainda durante o dia e estariam regressando bem ao final da tarde, cair da noite.

Dados a hora de partida e movimentos conhecidos, se eles não tivessem alcançado o topo, seria pouco provável que eles ainda estivessem em expedição ao cair da noite.

Mallory e Irvine com equipamentos de alpinismo da época

No entanto, resta a incerteza de que eles alcançaram o topo, o que seria um feito extraordinário, precedendo de 29 anos a ascensão de Hillary e Norgay de 1953. 

Do ponto de onde é comumente aceito que eles começaram a ascensão – apesar de o operador de câmera da expedição de 1924, John Noel, manter até sua morte a versão de que ele sabia que eles tinham começado a escalada de um acampamento mais alto do que se acredita – eles teriam necessitado de cerca de onze horas para atingir o cume do Everest.  

Mas, para isso tinham somente oito horas de oxigênio disponível, assim – apesar de isso depender do fluxo de oxigênio, que podia ser controlado e não foi necessariamente utilizado ao máximo – pode ter faltado oxigênio antes de eles terem atingido o topo do monte.

Face NORTE do Everest: A Rota Mallory

Vários alpinistas experientes discordam vêementemente da eventualidade de que Mallory teria sido capaz de escalar o difícil e infame "Second Step" da face norte, em 1924, e atualmente facilitado por uma escada de alumínio instalada de maneira permanente por uma equipe chinesa em 1975, a fim de evitar o problema. No entanto, Mallory era conhecido por ter vencido um obstáculo bastante semelhante em condições alpinas no Nesthorn suíço, e seus companheiros não tinham dúvidas de sua capacidade e motivação.

Mesmo se alguma evidência seja encontrada provando que George Mallory e/ou Andrew Irvine alcançaram o pico do Everest naquele dia fatídico de 1924, muito poucos consideram que a história deveria ser reescrita para lhes atribuir a "primeira ascensão". 

Mallory e Irvine

Os alpinistas estão geralmente de acordo sobre o fato de que uma ascensão bem-sucedida implica não somente alcançar o topo, mas voltar vivo de lá

De fato, o próprio filho de George Mallory, John Mallory, que tinha somente 3 anos de idade quando o pai morreu, disse:

-"Para mim a única maneira de atingir o pico é voltar vivo. O trabalho é feito pela metade se você não retorna vivo".

Uma perspectiva similar foi manifestada por Sir Edmund Hillary, que perguntou:

-"Se você escala uma montanha pela primeira vez e morre durante a descida, trata-se realmente de uma primeira ascensão da montanha? Eu estou inclinado a pensar que descer é deveras importante, e que uma escalada completa implica alcançar o topo e voltar de lá são e salvo".

Em conclusão, Chris Bonington, o respeitado alpinista britânico do Himalaia, resumiu o ponto de vista de muitos alpinistas de todo o mundo:

Chris Bonington em uma inserção no Everest

-"Se admitirmos o fato que eles estavam no Segundo Degrau, eles teriam estado incrivelmente próximos do topo do Everest, e penso que, neste momento, alguma coisa toma conta de todo alpinista… Assim, tendo em vista todas essas circunstâncias… Acho que é bastante provável que eles tenham tentado alcançar o topo… Eu certamente adoraria imaginar que eles realmente alcançaram o topo do Everest. Acho que é uma idéia adorável, uma emoção profunda, sim, eu gostaria que eles tivessem chegado lá. Se eles conseguiram ou não, acho que é algo que não se poderá saber".

Em 1995, o neto de Mallory, George Mallory II, atingiu o topo do Everest.

* * *  *  * * *

George Herbert Leigh Mallory (1886:1924) foi um alpinista britânico.


Em 1904, Mallory e um amigo tentaram escalar o Mont Vélon, nos Alpes, mas retornaram pouco antes de alcançarem o topo por causa do mal de altitude

Em 1911, Mallory escalou o Monte Branco.

Mallory em 1913

Por volta de 1913 ele estava no ápice de suas capacidades de alpinista em terrenos rochosos, tendo escalado o Pillar Rock, no Lake District, sem assistência, o que hoje em dia é conhecido como a "Mallory's Route" (Rota de Mallory) – agora classificada como "Dura, muito severa" 5.1 (graduação americana vai até 5.9). Foi a rota mais difícil de toda a Grã-Bretanha por muitos anos.

Em 1921, durante uma missão de exploração de rotas no passo norte do Everest, ele escalou diversos picos mais baixos perto do Everest, a fim de melhor conhecer a geografia da região.


Em 1922, enquanto Mallory liderava um grupo de alpinistas na descida do passo norte do Everest sob neve, uma avalancha caiu sobre o grupo, matando sete Sherpas.

Num de seus mais famosos momentos, ao ser perguntado repetidamente por repórteres em Nova Iorque durante uma série de conferências por que motivo queria ele escalar o monte Everest, ele replicou a um deles: 

-"Porque ele está lá".

Esta frase é hoje associada para sempre à ele e ao montanhismo.

Foto: Monte Everest, à esquerda, no alto, o caminho da expedição de 1924 ("Rota Mallory"); à direita o caminho da fachada sul ("Rota Hillary")

Andrew "Sandy" Irvine (1902:1924) foi um dos alpinistas (o outro foi George Mallory) que tentaram realizar a primeira ascensão do Monte Everest.


Irvine era um esportista e brilhava no Remo, tendo sido membro da equipe que ganhou a Oxford and Cambridge Boat Race em 1923.

Muitas obras literárias, documentários existem acerca deste mistério que envolve o Everest:


E, dadas as circustâncias, este deverá ser umas das famosas incógnitas da humanidade que jamais serão reveladas. Está muito bem guardada na imensidão branca do Everest.

OBRIGADO!
 Sua visita é verdadeiramente uma satisfação aqui no C&M.

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