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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Vôos fatais: KAL 902 e KAL 007

Há alguns dias, falamos do vôo PP-VLU cargo Varig, e nele citamos os Vôos KAL 902 e 007. Hoje, o C&M vai falar mais detalhadamente destes graves e tristes incidentes:


Por ordem cronológica... 

Vôo Korean Air Lines 902 (KAL 902) em 1978

O Boeing 707 (inscrição HL7429), pilotado por Kim Chang Ky, decolou de Paris, França em abril de 1978 para realizar um curso para Anchorage, Alasca onde faria uma escala, reabasteceria e iria para seu destino final: Seul, Coréia do Sul.


Após serem alertados por uma estação canadense à  apenas 400 milhas do Pólo Norte de que precisavam acertar o curso, pois voavam muito mais ao Norte do que deveriam, declinaram um pouco ao sul para regular o trajeto. Porém, por vários fatores conjugados (o 707 não era dotado de sistema de navegação inercial e os pilotos não notaram que o Sol estava 180° equidistante da posição que deveria estar) fixaram rota errônea para Murmansk (URSS) e não Anchorage (EUA) como previamente elaborado.

Rota original e a realizada pelo vôo KAL-902 em 1978

De acordo com a posição oficial da companhia, os pilotos cometeram um equívoco nos cálculos de conversão por causa da declinação magnética.

Ao adentrarem no espaço aéreo soviético, dois caças SU-15 “Flagon” foram enviados para interceptar a aeronave, ora identificada como um avião espião RC-135 americano.

Caça soviético SU-15 "Flagon"

De acordo com relatórios soviéticos, e depois confirmados pelos pilotos do KAL 902, várias tentativas de comunicação foram feitas, mas todas ignoradas. Então, o piloto de um dos caças, Capitão A. Bosov recebeu ordens de abatar o intruso. 

Representação artística da interceptação do KAL-902

O piloto tentou em vão, convencer seus superiores que tratava-se de uma aeronave civil comercial. Bosov resolveu então disparar um míssel com intuito de somente provocar danos e para servir como advertência. Este disparo, entretanto, causou um dano sério na asa esquerda do 707 e perfurou parte de sua fuselagem, causando a morte de dois passageiros, entre os 97 e 12 tripulantes da aeronave.

Mais um mapa com a rota do KAL-902

Apesar de enorme dificuldade, o KAL 902 conseguiu manter vôo, mas foi obrigado à realizar um pouso de emergência pelo outro SU-15 a pousar no lago congelado de Korpijärvi, 250 milhas ao sul de Murmansk e 20 milhas da fronteira com a Finlândia.


Os 107 sobreviventes foram resgatados através de helicópteros russos.

Os passageiros foram libertados depois de 2 dias, enquanto a tripulação foi retida para investigação e liberados depois de uma desculpa formal. Os pilotos coreanos reconheceram que deliberadamente não obedeceram os comandos do interceptadores soviéticos.


A URSS enviou à Coréia do Sul uma fatura de $100,000 para despesas de manutenção. Os passageiros voaram em um Boeing 727 da Pan Am de Murmansk para Helsinki, Finlândia e depois em outro vôo em outro Boeing 707 da Korean Airlines os levou, finalmente, para Seul.
Para os que crêem que um “raio não cai no mesmo lugar”... 

Cinco anos depois, em 1 de setembro de 1983, os soviéticos derrubariam de maneira mais violenta e fatal, o Vôo KAL 007.

Vôo Korean Air Lines 007 (KAL 007) em 1983

O Voo KAL 007 foi o incidente ocorrido em um Boeing 747 comercial (registro: HL7442) da empresa Korean Air Lines. Decolou do aeroporto internacional John F. Kennedy (JFK) em Nova Iorque em 31 de agosto 1983 com 240 passageiros e 29 tripulantes.


Depois de escala para reabastecer no aeroporto internacional Ted Stevens em Anchorage, Alasca, o avião decolou às 13:00 GMT (5:00 hora local) já em 1º de setembro de 1983, e foi para oeste. 

Capitão Chun Byung-In, piloto do KAL 007
Então, por engano fizeram um arco para o sul, traçando uma rota para o aeroporto internacional Seul-Kimpo (agora aeroporto Gimpo), Seul - Coréia do Sul. Esta mudança no traçado original levaria muito além do oeste do normal (245º magnético), passando pela península de Kamchatka e então no mar de Okhotsk para Sakhalin (Dentro de território russo). 

Sem se dar conta desse equívoco na rota, a tripulação continuou com altura e velocidade constantes, entrando em território soviético. 


Dois caças Su-15 "Flagon" da base aérea de Dolinsk-Sokol levantaram vôo para interceptar o avião. Ao manterem contato visual com a aeronave, comunicaram à base pedindo instruções. Eles receberam ordens expressas de destruir o avião imediatamente. Com isso, exatamente às 18:26 GMT um míssel atinge o Boeing, sem qualquer aviso ou contato.


O avião atingido despencou em espiral, com rápida descompressão e colidiu no mar, na região de Sakhalin, cerca de 1 minuto depois, distante cerca de 55 km da ilha Sakhalin,vitimando todos á bordo.


Inicialmente as autoridades soviéticas afirmaram que na verdade a aeronave tinha sido obrigada à realizar um pouso forçado em Sakhalin, mas foi logo descartada a informação.


As investigações realizadas pelo ICAO iniciaram logo após o incidente, sem maiores conclusões, e retomadas oito anos depois quando os soviéticos liberaram as transcrições das caixas pretas, recuperadas no local, e mantidas em sigilo militar até então. 


A análise das gravações mostram que nem os tripulantes e nem o centro de controle da companhia, bem como os controladores mais próximos estavam cientes do desvio da rota do KAL 007. Descobriu-se também que o erro foi na programação do piloto automático e que campos magnéticos interfiriram na programação, e não foram notadas pelos pilotos.


O piloto soviético responsável pelo disparo, confirmou que não foi feita nenhuma tentativa de contato com o avião coreano, e que foi instruído pelos superiores à "mentir" para mídia afirmando que havia feito disparos de advertência. Confirmou que recebeu ordem imediata de disparo direto. Apesar das autoridas russas manterem a versão de que várias tentativas de contato com o KAL 007 foram feitas, vários rádo-amadores e unidades  de comunicação em solo não retratam qualquer comunicação na área no momento.

Bandeira do ICAO ( No Brasil, OACI)

Posteriormente um fato novo trouxe mais luz ao que pode ter ocorrido: No dia anterior um avião espião RC-135 americano invadiu o espaço aéreo soviético, exatamente na mesma rota do vôo KAL 007. Foi detectado pelos radares e deixou a região antes que fosse interceptado por caças soviéticos. Por uma triste e fatídica coincidência, no dia seguinte, o Boieng da KAL foi confundido com o invasor do dia anterior, e apesar de bem iluminado, principalmente no tocante à pintura e logotipo de sua calda, foi abatido sem piedade.

O "vilão" indireto nos dois casos: O Avião militar americano RC-135

As repercussões políticas foram enormes, principalmente (lógico) dos Estados Unidos. No vôo, inclusive, seguia o congressita norte-americano Lary “Lawrence” MacDonald.

Lary "Lawrence" MacDonald

Na época o presidente Ronald Reagan denominou o incidente de “O massacre da linha aérea coreana”. A AEROFLOT (empresa aérea soviética) foi proibida de realizar vôos nos estados Unidos. Até 1986, quando houve a liberação, só era possível ir da URSS aos EUA via México ou Canadá.

Logotipo da Aeroflot

A embaixadora americana da ONU, Jeane Kirkpatrick, fez uma apresentação audiovisual no Conselho de Segurança onde usou fitas das conversações pelas rádios soviéticas e um mapa da rota de vôo do avião para descrever a queda como selvagem e injustificada.

Em primeiro Plano: Jeane Kirkpatrick. Acima, o Presidente dos EUA à época, Ronald Reagan e abaixo os dois juntos em encontro sobre o incidente.

Devido a este incidente com o vôo KAL 007, Ronald Reagan anunciou que o sistema GPS ficaria disponível para propósitos civis para tentar se evitar equívocos fatais semelhantes.

OBRIGADO!!!

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