Destaque da Semana

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Caso Percy Fawcett


Desde 1925 uma questão intrigante permanece sem resposta: O que  realmente aconteceu com Percy Fawcett, hábil explorador Inglês que junto com seu filho, Jack e um outro amigo, desapareceram misteriosamente sem deixar nenhum rastro ou vestígio, enquanto procuravam por uma mítica cidadela perdida no sertão brasileiro?

O Camisas & Manias conta um pouco deste intrigante mistério.

Mas Primeiro... Quem foi Percy Harrison Fawcett?


Nascido na Inglaterra (Devon-1867),  em 1886 entrou na Real Artilharia Britânica e serviu no Ceilão ondeu se apaixonou pela arqueologia e converteu-se ao budismo. Seus amplos conhecimentos topográficos o levaram a prestar serviços ao governo boliviano, que necessitava regularizar áreas em litígio na região amazônica.

Fawcett em 1906. Topografias na região amazônica para o governo boliviano

Serviço extremamente penoso, por conta do severo clima e das doenças tropicais mais variadas, Fawcett liderou diversas expedições pela densa floresta no período compreendido entre 1906 e 1913. Com isso tornou-se um explorador mundialmente famoso.

Fawcett em foto no trabalho de fronteira entre Brasil e Bolívia (1908/1912)

Fawcett serviu de inspiração para Conan Doyle na obra O Mundo Perdido e na composição do personagem Indiana Jones.

Em  1914, o então Major Fawcett lutou pela Inglaterra na 1ª Grande Guerra. Ao final do conflito, deixou o exército e veio ao Brasil para estudar a fauna e arqueologia local.

Cronograma de uma das expedições de Fawcett quando à trabalho do governo boliviano

Jamais se separava de uma estatueta de basalto (imagem ao lado) que recebeu de presente do escritor H. Rider Haggard (autor do romance As Minas do Rei Salomão).

A imagem, supostamente vinda do Brasil, continha ainda uma série de inscrições desconhecidas.

A crença na existência desse local misterioso no interior do Brasil, nasceu quando Fawcett leu uma transcrição inglesa de relatos sobre a cidade e as minas de prata de Muribeca, encontradas (e novamente perdidas!) nos séculos 17 e 18.

Posteriormente, a descoberta do centro inca de Machu Picchu, em 1911, no Peru, reforçou e alimentou ainda mais essa tese do explorador de que a América do Sul encerrava em seus domínios tesouros arqueológicos (além de prata e ouro).

O MANUSCRITO Nº 512

A Biblioteca Nacional guarda um manuscrito conhecido apenas como documento nº 512 (Imagem abaixo). Publicado em 1839 é o relato da descoberta em 1753 de uma grande cidade deserta no sertão brasileiro.


Foi escrito por um bandeirante que se perdeu nos sertões do nordeste brasileiro. O documento descreve em detalhes a entrada desta cidade perdida: Um portal elevado, trazendo inscrições misteriosas em escrita desconhecida, ladeado por dois outros portões menores.


Obeliscos gigantescos, casas, construções que pareciam templos. Destacando duas imagens colossais... Um homem com uma coroa de louros  e outro com braço direito estendido.

A FATÍDICA EXPEDIÇÃO DE 1925

Em 1925 convidou seu filho mais velho, Jack Fawcett (imagem abaixo), para acompanhá-lo em uma missão de busca de uma cidade perdida, a qual ele tinha chamado de "Z". Após tomar conhecimentos de lendas antigas e estudar registros históricos, Fawcett estava convencido que essa cidade realmente existia e se situava em algum lugar do estado do Mato Grosso, mais precisamente na região da Serra do Roncador.

Jack Fawcett em 1925

Acompanhou-os também na empreitada um amigo de Jack, Raleigh Rimmell. Em 04 de março de 1925 o trio desembarcou em Cuiabá.  Em 20 de abril deixaram a cidade com mais dois guias, chegando em 15 de maio no Posto Simão Lopes (porta de acesso ao Xingu). Após dispensar os dois guias, prepararam-se para seguir com a jornada na semana seguinte.

Percy Fawcett e Raleigh Rimmell (1925) - Posto Simão Lopes

Curiosamente antes de partir, Fawcett deixou uma nota dizendo que, caso não retornasse, nenhuma expedição deveria ser organizada para resgatá-lo.

O seu último registro se deu em 29 de maio de 1925, quando Fawcett telegrafou uma mensagem a sua esposa dizendo que estava prestes a entrar em um território inexplorado. O trio de exploradores partiram para atravessar a região do Alto Xingú, e nunca mais voltaram.

Muitos presumiram que eles foram mortos pelos índios selvagens locais. Porém não se sabe o que de fato aconteceu. Os índios Kalapalos foram os últimos a relatar terem visto o trio. Não se sabe se foram realmente assassinados, se sucumbiram a alguma doença ou se foram atacados por algum animal selvagem.

Uma das teorias aborda o encontro fatídico do trio com animais selvagens e até mesmo místicos ou lendários

Durante as décadas seguintes, foram organizadas várias expedições de resgate, porém, nenhuma obteve resultado positivo. Tudo o que conseguiram foram coletar histórias dos nativos. Alguns disseram que eles foram mortos por indígenas hostis ou que animais selvagens os atacaram.

Ouviram também algumas versões mais fantásticas dentre as quais destacam-se a história de que Fawcett teria perdido sua memória e estaria vivendo como chefe de uma tribo indígena ou de que eles realmente encontraram a cidade perdida, mas foram impedidos de retornar para manter o segredo da existência de tal local.

A almejada cidade perdida foi encontrada? ... Ou houve um encontro mortal com indígenas desconhecidos ou animais selvagens? 

Fawcett era muito experiente.  Possuía confiança inabalável e conhecimentos enciclopédicos vastos sobre sobrevivência nas selvas. Gostava de usar o som de instrumentos musicais para fascinar grupos indígenas hostis. Porém, isso tudo pode ter falhado no decorrer da exploração.

Ao todo, cerca de 100 exploradores morreram tentando procurar pelos membros da expedição perdida de Fawcett. Três expedições de resgate também desapareceram na mesma região, que continua praticamente inexplorada até os dias atuais.


CONSIDERAÇÕES

Em um relatório de 1942, o então general Cândido Rondon (Imagem ao lado)afirmou que o explorado inglês havia sido morto pelos Kalapalos.


Em 1952, seis anos depois do primeiro contato com os índios Kalapalo, os índios confidenciaram a história dos exploradores que haviam sido mortos muitos anos antes, quando passavam na região.

A narrativa levava a crer que os exploradores eram Percy Harrison Fawcett, Jack Fawcett e Raleigh Rimmell. Fawcett teria advertido crianças da aldeia que, por sua curiosidade, ficavam perto de seu acampamento tocando nos objetos pessoais dos exploradores.

A conduta do explorador, no entanto, não teria agradado aos pais das crianças,  que teriam resolvido assim, responder àquela conduta ofensiva do visitante.

Jack e Rimell teriam sido flechados e descartados no rio. Já Percy Fawcett teria sido morto com golpes de borduna e enterrado numa cova raza rente a uma árvore.

Diante desta declaração, Cláudio e Orlando Villas Bôas localizaram o local onde teria sido morto o explorador inglês. Lá foram achados ossos humanos e objetos pessoais evidentemente de nossa sociedade como: faca, botões e pequenos objetos metálicos.

Orlando Villas Bôas junto a dois índios Kalapalo com a suposta ossada de Percy Fawcett em 1952.

Teria, assim, terminado o mistério do desaparecimento do explorador inglês. A ossada passou por inúmeros testes, no Brasil e Inglaterra, mas não se chegou a uma conclusão satisfatória.

Atualmente, os ossos achados em 1952 pelos Villas Bôas encontram-se no Instituto Médico Legal da Universidade de São Paulo. Foi realizado o exame de DNA mitocondrial mas a família Fawcett se recusa a submeter-se a este exame. Cabe a pergunta... Por qual motivo a própria família dificultaria a possibilidade de seconfirmar a identidade da ossada como sendo de Fawcett?

Seria Fawcett??? Os técnicos observam a ossada entregue pelos Kalapalos

Em 1996 os índios da tribo Kalapalo capturaram uma expedição brasileira liderada por um banqueiro chamado James Lynch, que visava solucionar o mistério e somente os liberaram após eles declararem desistência deste intento. A pergunta novamente... Por qual motivo?

O mistério gerou a concepção de vários livros. Acima, algumas capas...

O Jornal inglês The Times ofereceu um prêmio de 10 mil Libras para quem comprovasse o que de fato, havia ocorrido com Fawcett.

O prêmio permanece em aberto.

O C&M agradece sua visita 
e deseja um ótimo Final de semana. 
Até a próxima matéria especial, Tchau!!!

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